É porque somos seres impregnados do que é simbólico que damos tanta importância aos ritos de passagem – como nascimentos, enterros, aniversários, formaturas, casamentos, datas festivas, incluindo a virada do ano. Olhando de forma objetiva, não há como enfeitar. Trata-se simplesmente de um dia como qualquer outro. Mas no âmbito do simbólico, atribuímos significado (e emoção) a esses momentos da vida.
Há quem não goste de certos eventos que a maioria das pessoas aguarda com grande expectativa. Na origem da estranheza ou mesmo antipatia diante desses momentos, há recordações ruins, memórias de feridas na alma, medo, pessimismo frente ao futuro, apatia. Parece que os outros querem impor-lhes a obrigação de ser/estar feliz a despeito da lógica do mundo interior.
Recordemos o Pregador. O autor de Eclesiastes chama-nos a atenção para a dinâmica do tempo. Segundo ele, precisamos aprender sobre tempo, propósito, e sobre as múltiplas possibilidades das situações humanas. O referencial, no entanto, nos é dado por ele: “Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e jamais falte o óleo sobre a tua cabeça” (9:8).
Ou bem encaramos a realidade de um Deus a quem temos de prestar contas e que, tendo nos amado, impulsiona-nos também a amar e a fazer o que é justo. Ou, do contrário, levaremos a vida tão somente na base da emoção e do interesse imediato que identificamos. Por essa trilha aí, as experiências são valorizadas tão somente porque vividas e não porque compreendidas segundo um propósito maior. Como na famosa canção de Roberto Carlos: “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi.”
A promessa de Jesus de uma vida em abundância (para já, e não apenas no porvir) não implica que nada faremos por isso ou que estaremos isentos da dor do crescimento e amadurecimento ou de batalhas pela conquista. Absolutamente. Amadurecer, por exemplo, implica abrir mão até mesmo de coisas legítimas, renunciar a situações e contextos que acalentam nossa alma, aquilatar que pérolas são mais preciosas, que caminhos são os melhores, ainda que nademos contra a correnteza da opinião das pessoas e enfrentemos os mais variados percalços.
Um novo ano está às portas. Mesmo que nos empenhemos pela paz, prosperidade e dias felizes, só mesmo Deus sabe o que nos está reservado. Nem por isso, deixemos de viver, de fazer planos, de sonhar e de usufruir cada momento de nossas vidas neste novo ano. Eia, pois, tenhamos bom ânimo. A perspectiva bíblica é de que “somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm. 8: 37). Que confirmemos isso a cada dia em 2010 e que a paz de Cristo seja sobre todos nós.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
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